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Verbalização

3 jul

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Sempre tem alguém que consegue verbalizar exatamente o que sentimos né? José Saramago fez isso:

Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! 
Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!”
José Saramago

Fonte: Google Imagens


O segundo trimestre

21 abr

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O começo do segundo trimestre foi pra mim a melhor fase. Aquelas cólicas foram embora juntamente com os enjoos. Pareceu mágica, mas eles sumiram justamente quando completei 3 meses de gravidez. Essa fase foi a mais gostosa. Minha barriga já estava suficientemente grande para as pessoas na rua saberem que eu estava era grávida e não fora de forma. Deixei de usar a maioria das minhas roupas nesse momento. Foi também quando comecei a sentir ela se mexer dentro de mim, uma das sensações mais gostosas que já senti. E então começamos a montar o enxoval.

Enxoval

Como bons papais de primeira viagem, faltou planejamento e principalmente um bom controle da compra compulsiva. Compramos várias coisas erradas por serem bonitinhas, coisas que até hoje não sei para que servem, como uma vira manta (se serve para alguma coisa, eu ainda não descobri).  Roupas muito grandes, sapatos maiores ainda. Não tínhamos a menor noção do tamanho que um bebê nasce. Conhecem aquela boneca Meu Amor da Estrela? Pois é, eu achava que uma criança nascia daquele tamanho (se fosse, coitadas de nós). Quando chegava em casa com aquelas roupas absurdamente grandes, minha mãe ria muito.

A sorte foi que ela e meu pai se encarregaram de comprar muitos pagãozinhos, roupas pequenas, meias e sapatinhos menores ainda e nos presentear. A família estava muito feliz e ganhamos muitos presentes.

Hoje vejo que seria legal seguir uma listinha de enxoval, rs…. é um ótimo guia na hora das compras. Evita compras em duplicidade ou coisas desnecessárias.

Roupas

Nessa altura do campeonato, eu já não usava nenhuma roupa minha antiga mais, com exceção de algumas batas. Procurei não comprar muitas roupas, pois sabia que não voltaria a usá-las.

Fotos

Usei e abusei das fotos. Tirava a todo momento, em todos os lugares. No banho, na rua, em casa, no serviço…gostaria que ela visse o meu dia-a-dia, como foi esperá-la.

Descobrindo o sexo

Com 5 meses de gravidez, fomos fazer a ultra morfológica e aproveitar para descobrir o sexo do bebê. Eu já sabia que seria uma menina, tanto que me pegava diversas vezes dizendo “minha filha”. E não era porque eu queria, eu simplesmente sentia. Como eu não planejei ficar grávida e isso não estava em meus planos nem nos próximos 5 anos, eu também nunca havia pensando no sexo do bebê. E o exame confirmou. A médica perguntou que nome daríamos sendo menina e menino (o menino nem tinha nome ainda) e logo em seguida nos mostrou. O pai me pareceu feliz. Ele dizia que queria ter uma menina para ser a companheira dele e de fato é.

A escolha do nome

Mesmo antes da confirmação de ser uma menina, eu ficava pensando nos nomes, na maioria das vezes, nomes de meninas. Queria que ela tivesse meu nome, eu gosto dele, acho forte e me inspirou muitas vezes a seguir na vida. Mas queria que fosse o segundo nome na minha casa todo mundo tem dois nomes, eu, minhas irmã e coincidentemente meus pais também). Bem, pensei em:

- Fernanda

-Wendy

-Letícia

O pai queria Suyane (não gostei). E assim foi uma grande batalha. Insisti no Wendy, mas ele disse que era melhor um nome simples e curto. Foi aí que do nada ele disse: “Vamos colocar Júlia então. Júlia Bárbara!” Gostei. No início achei que não combinava, mas com o tempo comecei a gostar. Eu ainda não tinha noção de quantas Júlias nasceriam na mesma época.

Os 3 primeiros meses

21 abr

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Os três primeiros meses da gravidez da Júlia foram marcados por enjoos, choros, sustos, crises e dúvidas. Enjoei muito, mas não vomitava. Talvez isso fizesse o enjoo ser ainda mais forte e chato, por outro lado eu não me desidratava e tudo o que eu comia (o pouco que comia) ficava no estômago. O médico (o primeiro que frequentei) me passou Dramin B6, mas como não estava adiantando nada, me receitou depois o Meclin, esse sim me ajudou bastante. Não acabava com os enjoos, mas  diminuía o bastante para eu conseguir trabalhar.

Foi também um período de grandes sustos. Fui para a emergência do hospital diversas vezes com suspeita de aborto espontâneo. Sentia fortes dores e no medo ia parar na emergência. Mas tudo não passava de dores consideradas “normais” pelos médicos. Fazia uma ultra e lá estava ela, crescendo, quietinha em seu canto. Depois do parto que fui descobrir que essas dores eram causadas porque meu últero era invertido e com o peso ele foi virando para ficar em posição normal, essa mudança é que causavam as dores que eu sentia.

Me sentia extremamente sensível. Pensava se seria uma boa mãe, no parto, amamentação, gente cabeça de mulher grávida não para de trabalhar. É uma loucura!!

Queda da escada 

Quase no fim do primeiro trimestre, eu sofri uma queda na escada da minha casa que era de granito. Escorreguei e fui parar 3 degraus abaixo. Corremos para o hospital, mas não aconteceu nada com ela.

Segundo o médico e a título de informação também, quando se está no começo da gravidez o perigoso é bater a barriga, já depois do 6° mês, o pior é cair sentada como aconteceu comigo. Não sei até que ponto esta informação está correta, mas foi a orientação que tive no dia.

Fiquei em observação algumas horas e depois fui pra casa. O susto serviu para que eu parasse de usar todas as sandálias rasteiras que tinha. Comecei a dar preferência para as havaianas e sapatilhas com o solado antiderrapante. Comecei a ter mais cuidado também ao subir e descer escadas, assim como rampas e locais com pisos muito lisos.

Lado bom

Com o passar dos dias fui me acostumando com a ideia. Foi ficando cada dia mais gostoso estar grávida. Comecei a olhar e a comprar também roupinhas, sapatinhos mesmo sem saber o sexo! É tudo tão lindo que é muito difícil se segurar e não comprar.

Os enjoos foram passando e tudo foi ficando muito mais confortável. Começava ali a melhor fase da gravidez.

O outro dia…

21 abr

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No outro dia foi que a ficha caiu. Na manhã seguinte me senti totalmente diferente! Tocava minha barriga e uma emoção muito forte tomou conta de mim. Chorei! Chorei pelo amor que comecei a sentir. Mas aí veio a pergunta que até hoje não me abandona. E agora?

Muitas decisões a tomar, mas lidar com tanta emoção e ainda tomar decisões com a razão não é muito fácil. Um filho muda a vida para sempre e hoje vejo que mudou pra muito melhor, mas naquele dia não era o dia de fazer planos ou tentar e encontrar soluções, era o dia somente de sentir.

Continuo no próximo post.

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